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Fonouadiologia X Ortodontia / ortopedia Funcional dos Maxilares PDF Imprimir E-mail
Enviado por Núbia da Silva Costa   
Seg, 21 de Julho de 2008 23:22

INTRODUÇÃO

A relação entre Fonoaudiologia e a Ortodontia/ Ortopedia Funcional dos Maxilares estreita-se ao que chamamos de Sistema Estomatognático. Juntas, estas especialidades se completam estudando os transtornos que acometem este Sistema complexo e tão vital quanto os outros do corpo humano.

SISTEMA ESTOMATOGNÁTICO:O Sistema Estomatognático é formado por dois grupos distintos de estruturas: as estruturas ósseas e as estruturas musculares que interligadas formam uma rede com características próprias, desenvolvendo funções comuns, sendo elas a mastigação, deglutição, respiração e fonação.

Não há uma função principal deste Sistema, pois todas são primordiais para um bom desenvolvimento bio-psico-social do indivíduo, porém, segundo a literatura (MOOS,1962) a RESPIRAÇÃO sustentaria a boa funcionalidade do Sistema Estomatognático.

RESGATANDO A LITERATURA

Muitos pais e outros profissionais da área da saúde se questionam sobre o aumento da demanda Ortodôntica e Fonoaudiológica, além do porquê do trabalho conjunto destas áreas afins. As razões são das mais diversas que vão desde as causas de origem genética e/ou hereditária (má-formações, síndromes), a fatores ambientais (poluição) e hábitos viciosos como chupar dedo, roer unha, etc.Para melhor explicar esta relação, façamos um resgate à literatura Odontológica e Fonoaudiológica:Segundo a Teoria de Moss (1962), o crescimento craniofacial é determinado pelas funções do Sistema Estomatognático. Moss afirma que a principal função relacionada à fala – a respiração – e até as cavidades aéreas (vias respiratórias superiores – vias nasais) são as matrizes funcionais primordialmente responsáveis pelo crescimento adequado do complexo crânio facial, concluindo que as estruturas ósseas crescem subordinadas ao crescimento das matrizes. Portanto conclui-se que qualquer perturbação no fluxo de ar que passa pelo nariz e expande as cavidades ósseas do crânio desestruturaria a funcionalidade do complexo estomatognático.Para acrescentar os estudos de Moss, Van Limborgh e Moyers (1979) resumem que o crescimento craniofacial se dá por meio de fatores genéticos intrínsecos, que controlam o crescimento ósseo, e influências ambientais, que influenciariam nas funções/ estrutura muscular.

A face necessita, além de estímulos genéticos, de estímulos ambientais para o seu desenvolvimento harmônico. Estes estímulos são oferecidos naturalmente pelas funções de respiração, sucção, mastigação e deglutição. Os ossos desenvolvem-se por fatores internos (um osso estimula o crescimento do outro), externos (fluxo de ar durante a respiração) e musculares, sendo os músculos os maiores responsáveis pelo crescimento do complexo craniofacial, pois eles contém o crescimento ósseo provocando expansão ou a atrofia da caixa craniana.

ENFOQUE FONOAUDIOLÓGICO

A Fonoaudiologia trabalha intimamente com as estruturas craniofaciais valorizando tanto o crescimento ósseo quanto muscular e funcional do Sistema Estomatognático. Uma das razões dessa inserção de trabalho é a grande demanda de pacientes, que chegam aos consultórios com uma desorganização miofuncional dos órgãos fonoarticulatórios.

Um dos fatores fundamentais para esta desorganização é a poluição, que acarreta uma série de problemas respiratórios, fazendo com que o indivíduo se torne um respirador bucal (por conta da obstrução nasal),contribuindo em alterações significativas no seu desenvolvimento global e particularmente craniofacial.Outro fator preponderante é que a participação ativa da mulher no mercado de trabalho reduz a possibilidade de amamentação, induzindo-as com facilidade o uso da mamadeira o que interfere negativamente no padrão correto de sucção do bebê, gerando mal posicionamento de língua, conseqüentemente deglutição atípica e projeção lingual. Resumindo: Uma vez que o Sistema Estomatognático é formado por estruturas ósseas e musculares que vão desempenhar funções comuns importantes para nosso desenvolvimento (sucção, respiração, deglutição e fonação), e uma destas funções está prejudicada, o complexo craniofacial se desorganiza crescendo e se desenvolvendo de forma incorreta, influenciando negativamente a nossa saúde.

A Terapia

O início da terapia se dá através da conscientização da problemática. O paciente deve ter a plena consciência e conhecimento sobre o que acontece com ele para poder cuidar de seu processo terapêutico após o término da terapia.

Após o processo de conscientização, iniciamos o trabalho de propriocepção, ou seja, de percepção do paciente para que este perceba a diferença entre sua problemática e o padrão correto. Enquanto ele não perceber a diferença, não haverá condições de mudanças.

Quando estes dois processos já estão caminhando, iniciamos o teabalho propriamente dito com exercícios de respiração, sucção, deglutição e mastigação ativos para estimular e/ou adequar o Sistema.

 

PATOLOGIAS MAIS FREQUENTES:

- Respiração Bucal:

Devido a problemas diversos de obstrução nasal, o organismo se propõe a encontrar uma outra forma de respirar para a manutenção de seu funcionamento. Neste caso, a respiração pela boca é a solução. Entretanto não a melhor, pois promove diminuição na capacidade respiratória, alterações na arcada dentária e no palato (céu da boca) dificultando a boa oclusão, além de levar pouco oxigênio ao cérebro.

- Deglutição Atípica ou Adaptada:

O ato de deglutir (engolir) é um ato complexo que precisa de força e coordenação entre a musculatura envolvida e a respiração para que o alimento sai da cavidade oral e alcance o estômago pela vias naturais com segurança.

Na Deglutição Atípica ou Adaptada o mecanismo sincrônico da deglutição é rompido, há um pressionamento inadequado da língua durante o ato que, quando repetido com freqüência, gera efeitos marcantes ao complexo craniofacial.

- Projeção lingual:

Estando a musculatura da língua com baixa resistência, ou seja, hipotônica, durante a fala o indivíduo a interpõe entre os dentes distorcendo os sons. Além disso, em repouso, a língua hipotônica assume um papel rebaixado na cavidade oral e obstrui a devido vedamento labial .

- Disfunção da Articulação Temporo- Mandibular:

A mandíbula, único osso móvel da face, liga-se à base craniana por meio da articulação temporo- mandibular. Alterações nesta articulação podem acontecer gerando uma disfunção.

O sintoma mais comum da disfunção temporo-mandibular (DTM) é a dor, seja ela ao mastigar, bocejar, falar ou simplesmente dor de cabeça.

- Hábitos viciosos bucais:

Os hábitos viciosos bucais não são considerados uma patologia, porém promovem a instalação delas.

É sabido que o hábito de chupar dedo, chupeta e mamadeira, mais freqüente entre crianças, e roer unhas é a maior causa de alterações no equilíbrio do aparelho estomatognático, desse modo podemos enumerar algumas alterações provocadas pelo hábito, tais quais: mordida aberta, atresia do palato, respiração bucal por hábito vicioso, lábio superior hipertrófico, lábio inferior hipotônico, entre outros.

A interrupção do hábito vicioso deve ser feita logo após o diagnóstico para que o tratamento odontológico e fonoaudiológico obtenham sucesso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A Ortodontia e a Ortopedia Funcional dos Maxilares tem como objetivo a prevenção, supervisão e orientação do desenvolvimento craniofacial no que se refere às estruturas ósseas do Sistema Estomatognático, assim como a correção dentária incluindo as condições que requeiram movimentação do dente, bem como a harmonização da face no complexo maxilo-mandibular. A Fonoaudiologia, em conformidade com estas especializações da Odontologia, visa o crescimento e desenvolvimento sadio do Sistema Estomatognático como um todo, estimulando e/ou adequando as estruturas musculares, ou seja, a Fonoaudiologia trabalha a partir das funções estomatognáticas.A afinidade entre estas duas áreas, o trabalho em equipe e principalmente a voluntariedade do paciente decidem o sucesso de um tratamento em Equipe e mais, promovem um aumento na boa qualidade de vida do paciente.BIBLIOGRAFIA:PETRELLI, E. Ortodontia para Fonoaudiologia. Curitiba: Ed Lovise 1992

KRAKAUER,L.H.; DI FRANCESCO, R.C.; MARCHESAN, I.Q. Conhecimentosessenciais para entender bem a Respiração Oral. São Paulo: Pulso editorial 2003

MARCHESAN, I.Q. Fundamentos em Fonoaudiologia Aspectos Clínicos da Motricidade Oral. São Paulo: Guanabara Koogan 1998

 

 

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