| A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | Z |
| Os Efeitos do Ruído no Organismo. |
|
|
|
| Enviado por Daniel Marques De Avila | |||
| Sex, 20 de Junho de 2008 20:52 | |||
|
Acredita-se que o ruído pode afetar outros órgãos do corpo humano por meio de um mecanismo indireto, ativando ou inibindo o sistema nervoso central e periférico. - Distúrbios de Comunicação Nos ambientes barulhentos, a comunicação verbal torna-se impossível, sendo difícil dar avisos e informações de perigo iminente a trabalhadores da área, aumentando a probabilidade de erros e acidentes ocupacionais. Ruídos elevados podem causar transtornos de comunicação, como o mascaramento da voz, prejudicando a compreensão da fala, principalmente se o indivíduo tiver deficiência auditiva, que tornará mais difícil o reconhecimento da fala. Conseqüentemente o indivíduo tende ao isolamento social, já que não consegue mais participar efetivamente da conversação, trazendo dificuldades de interação, tanto no meio familiar como no seu ambiente profissional. Em alguns casos, podem ocorrer situações de excesso de ruído no local de trabalho, associado a perdas auditivas, onde o trabalhador tem a necessidade de utilizar uma intensidade vocal mais forte que a habitual, para ser ouvido pelos colegas, provocando um esforço maior e uma tensão ao falar, havendo uma sobrecarga no trato vocal, podendo ocasionar lesões e alterações vocais. - Distúrbios do Sono No sono REM ocorre elevada ativação cortical contrapondo-se atonia muscular, além da variação da freqüência cardíaca e da pressão arterial. As funções do cérebro e do organismo em geral são influenciadas pela alternância da vigília com o sono regulada pelo hipotálamo. O núcleo supraquiasmático (NSQ) do hipotálamo é uma estrutura bilateral que recebe informação visual direta e funciona como um relógio que regula o ciclo sono - vigília. A comunicação entre o NSQ, a glândula pineal e o restante do organismo é feita através da melatoniana (hormônio produzido pela adenohipófise), que aumenta a tendência do sono, indicando ao cérebro o conceito de noite e escuridão. A atividade cerebral que mantém o ciclo do sono - vigília sofre influencia endógena relacionada com a atividade cíclica e neural. Tanto a atividade neural como o acúmulo ou o esgotamento de neurotransmissores poderia desequilibrar o sistema para vigília ou para o sono. Como o ruído tem interferência direta na qualidade do sono, vai agir indiretamente nos efeitos do dia-a-dia do trabalhador; é incontestável a importância de uma noite "bem dormida", para o bom desempenho do indivíduo em suas tarefas, principalmente as que exijam concentração e habilidade, refletindo num melhor rendimento no seu trabalho e na sua vida social. Ruídos escutados durante o dia podem atrapalhar o sono de horas após; os pacientes reclamam de dificuldade para iniciar o adormecimento, de insônias e de despertares freqüentes, o que determina cansaço no dia seguinte. - Distúrbios Vestibulares Durante a exposição ao ruído e mesmo depois dela, muitos pacientes apresentam distúrbios tipicamente vestibulares, descritos como: vertigens, acompanhadas ou não por náuseas, vômitos e suores frios, dificuldades no equilíbrio e na marcha, nistagmos, desmaios e dilatação de pupilas. - Distúrbios Comportamentais São relatados pela maioria dos autores, uma extensa série de sintomas comportamentais. São eles: mudanças na conduta e no humor, falta de atenção e concentração; inapetência; cefaléia; redução da potência sexual; ansiedade; depressão; cansaço; fadiga; alteração na memória e estresse. Acredita-se que estes sintomas podem aparecer isolados ou mesmo juntamente. Acrescenta-se ainda: nervosismo, fadiga mental, frustração, irritabilidade, mau ajustamento em situações novas, e conflitos sociais entre operários expostos ao ruído. Alguns psiquiatras e psicólogos crêem que níveis extremamente fortes de ruído podem desencadear agressividade e violência. Afirmam que pessoas expostas ao ruído prolongado mostram maior sensibilidade e propensão para envolver-se em situações de brigas e discussões. O homem que retorna ao lar, após um dia em ambiente ruidoso, tende a irritar-se com maior facilidade. É fato incontestável que os fatores individuais têm importância muito acentuada; alguns indivíduos são mais suscetíveis que outros, os efeitos relacionam-se diretamente com a reação individual; algumas pessoas têm uma tolerância maior a sons fortes. - Distúrbios Digestivos A maioria dos estudos afirma a presença de alterações digestivas atribuídas a ação nociva do ruído ocupacional, descritas como diarréias, prisão de ventre e náuseas. Foi observado em alguns casos diminuição do peristaltismo e da secreção gástrica, com aumento de acidez, seguidos de enjôos, perda de apetite, dores epigástricas, gastrites e úlceras. Embora não tenha sido totalmente evidenciado em experiências, alguns indivíduos apresentaram motilidade gastrintestinal aumentada quando expostos a níveis de pressão sonora elevados. - Distúrbios Neurológicos Alguns autores referem algumas prováveis alterações como resposta a ação do ruído, que manifestam-se como: o aparecimento de tremores nas mãos, redução da reação a estímulos visuais, dilatação das pupilas, motilidade e tremores dos olhos, mudança na percepção visual das cores e desencadeamento ou piora de crises de epilepsia. Foram relatadas também influências no sistema nervoso central, inclusive alterações das ondas alfa no eletroencefalograma e aumento da pressão do líquor raquidiano. Estudos mostraram que níveis de ruído superior a 93dB, interferem entre os sensores ópticos e óticos, fazendo com que o operário não distinga as cores de maneira adequada; quando o nível de ruído reduz para 80-85dB, a sensibilidade passa a ser igual para todas as cores. - Distúrbios Cardiovasculares Estudos descrevem a aceleração cardíaca provocada pelo o ruído, inclusive em coração de fetos, a redução do volume circulatório, e a alteração em seu fluxo, a vasoconstrição periférica, o aumento da viscosidade do sangue, hipertensão arterial, e a ação do ruído sobre a gestação alterando a posição do feto e dificultando o trabalho de parto, entre outros. Relataram ainda alterações da crase sanguínea, a eosinopenia e linfopenia, atribuíveis ao ruído. Um longo período de tempo de exposição a ruído pode causar uma sobrecarga no coração. Observou-se em animais, um aumento agudo da pressão arterial associado ao aumento da resistência vascular periférica, ocorre com a exposição ao ruído, podendo tornar-se uma alteração permanente. Sugerindo ser o ruído um dos vários estímulos externos que propiciam o desenvolvimento da hipertensão arterial no ser humano. Acredita-se que podem ocorrer respostas cardiovasculares semelhantes às que ocorrem no estresse agudo, com o aumento de pressão arterial e alterações hormonais e bioquímicas (aumento da excreção da cotecolaminas e aumento de níveis plasmáticos de colesterol, triglicéris, ácidos graxos livres). Um mecanismo também citado como envolvido na gênese da hipertensão arterial induzida pelo ruído, é o de que este elemento pode provocar uma variação da pressão arterial, através de uma adaptação estrutural dos vasos sanguíneos, em resposta aos repetidos picos de variação da pressão arterial. - Distúrbios Hormonais Acredita que os chamados " hormônios do estresse", que tem sua produção alterada quando o portador passa por tensões, podem manifestar-se também em ambientes com níveis elevados de ruído. Dessa forma, resultará em um aumento dos índices de adrenalina e cortizol plasmático, com possibilidade de desencadeamento de diabetes e aumento de prolactina, com reflexos na esfera sexual. Os efeitos fisiológicos do ruído a longo prazo são principalmente aquelas respostas produzidas por meio de substâncias (coletivamente conhecidas por hormônios) liberadas por algum tecido secretor (glândula endócrina) na corrente sangüínea, os hormônios são capazes de produzir reações em órgãos e tecidos muito afastados do seu ponto de produção. - Distúrbios Circulatórios São relatadas pela maioria dos estudiosos alterações circulatórias; o ruído age diretamente sobre o aparelho circulatório, produzindo vaso constrição, sendo descrito também mudanças no ritmo da pulsação, aumento da viscosidade do sangue, e má oxigenação das células, podendo ocorrer problemas a nível tecidual. - Alterações nos Reflexos Respiratórios Joachim (1983), descreveu modificações dos movimentos rítmicos normais e essenciais dos músculos relacionados à respiração. O mecanismo total é um sofisticado sistema de controle projetado para regular o conteúdo gasoso do sangue, incluindo a pressão parcial de CO2 e O2 gasosos e para estabilizar vários aspectos da química do sangue. - Alterações na Concentração e Habilidade O ruído como um som indesejável, apresenta a característica de irritar e, com isso, diminuir a capacidade de concentração mental, afetando o desempenho na habilidade de realizar tarefas, assim trabalhadores que utilizam habilidades manuais, por exemplo, podem ser muito prejudicados, tendo em vista que sua capacidade está diminuída, aumentando a probabilidade de erros e acidentes ocupacionais, e comprometendo a execução de tarefas que exijam atenção e concentração mental. - Alterações no Rendimento de Trabalho A exposição a níveis elevados de ruído por um período de tempo interfere na concentração e nas habilidades, tendo como conseqüência a redução da performance e do rendimento de trabalho; o indivíduo fadiga mais rápido, apresentando cansaço, prejudicando o desempenho de suas atividades. Estudos demonstram que o excesso de ruído, no elemento humano, altera a condutividade elétrica no cérebro, além de provocar uma queda na atividade motora em geral. Alguns autores acreditam que os níveis elevados, embora não influenciem a produção como um todo, originam uma variação na produtividade. Observou-se que, após uma pausa à exposição ao barulho, há um aumento da produtividade. Kitaruma & Costa (1995) pesquisaram outros efeitos extra-auditivos que são:
|